quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Óculos de garrafa

A minha visão fez me ficar cego.
Alguém ofereceu-me óculos falsos,
Não sei quem foi.
Estes que uso no momento,
Tirei do fundo de um oceano.
Oceano de lágrimas,
Pois não sei se os óculos são verdadeiros.

Uma pessoa vê com a mente
E os olhos de nada servem
Pois esta visão não diferencia nada e ninguém.

Notas detalhadas.

Sempre ali está,
o detalhe.
Quando mais mastigado e detalhado,
Mais difícil de entender.
O detalhe, entre as cordas rectas como linhas,
Estragou o meu momento.
E as notas não soaram a melodia.
A melodia que eu queria ouvir.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tato

Um coração revestido com minha pele
Bate vivo algures no universo.
Minha pele não é minha.
O coração é meu, no entanto.
Ela bate dentro de mim também.
Sua pele não é mais sua,
É minha, assim como o tato cego,
Todo o corpo, tudo que a alma não toca
O tato toca e arrepia.
Se a pele sente, o coração sente,
A mão trespassa todo o corpo,
E o beijo também, por todas as pernas, peitos,
Onde por baixo está minha pele
E meu sentimento.

terça-feira, 16 de março de 2010

Evasão

Quando ela vai-se embora,
Mesmo não sendo,
Parece que é para sempre.

Quando ela vai embora,
Eu tiro fotos de quando o sol se põe.
Para na minha noite,
Possuir qualquer tipo de luz,
Que não tenho
Quando ela não está aqui.

Para Sabina

quinta-feira, 11 de março de 2010

Alívio

Estou apertado
Sou um homem
Cheguei à privada
Estou mais apertado
Não consigo controlar
Erro o alvo
Não há barulho
Há limpeza
E apesar do trabalho,
Alívio.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Desgraça

Numa terra onde ninguém nasceu,
Numa terra onde ninguém morreu,
Todos são irmãos de Deus,
E Deus não tem filhos.

Um deus, criou
Uma circunferência
E chamou de tempo.
Pois todo o fim volta,
Para o início.

Criou a união, mas criou a desunião,
Criou a felicidade, mas criou a tristeza,
Criou a paz, mas criou a guerra,
Criou o amor, mas criou o homem,
E acabou o círculo.