domingo, 16 de agosto de 2009

Adoção de palavras novamente

Me disseram que o poeta é um fingidor
Cólica hepática fingida?
Não. Mão levantada em direcção ao Sol.
Me escondi, abandonei as palavras,
Pois estas são uma criação do homem,
E não são dignas para uso da Natureza.
Não há palavras para descrever a morte,
Como meu olhar se manifestou no dia trinta,
Mas ninguém me conheceu.
Ninguém me conhece,
Porque já não sou mais como era antes,
Sou velho, e não morri.

Alberto Caeiro em um computador.

sábado, 15 de agosto de 2009

Batalha em sonata

Mãos na cabeça,
O sequestro do espírito
Armado de maldade.
O corpo cai imóvel e inconsciente,
É só um palco.

Os dançarinos dançam.
Todas as melodias impossíveis
Para a carne e para a alma,
Levam um espírito para fora
E outro para o coração.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fortuna

Ó Fortuna interior!
O sol brilha em meu caminho,
E a Lua fica para os clássicos.

Lua crescente, Lua minguante,
A Fortuna não é água salgada
Influenciada por ti,
Ou água doce que se esvai
Até a água salgada.
Água por entre os dedos juntos
Suja no chão,
Forte destrói a embarcação
Fortuna afogada por cima das vidas.

Mente e desejos satisfeitos,
Nunca sentem o peso da Fortuna exterior,
Mas podem fazer tudo com,
Ou por esta malevolência,
Que devora os corações de ouro
E valentes guerreiros
De humanas e sujas ambições.