domingo, 31 de maio de 2009

À vida de olhos azuis.

Um dia conheci um poeta.
Ele não era um mentiroso,
Mas era um fingidor.
Fez algumas revelações
Sobre o que não existiu,
Que está vivo
E nunca morreu.

Nunca levantou a mão direita
Mas seu corpo deambula.
Pela cidade que um dia odiou.
Perdido veio parar nos pensamentos,
Para escapulir ao mundo
Que o inexistente
Tem o seu nome na eternidade real.

Apoluidora.

Pássaros e borboletas
Começam a mover montanhas.
A semente humana
É auto-fragilizada.
Depois do fim do dia,
Nunca mais amanhecerá.

Noé nunca imaginou
Que seus filhos seriam
A vergonha da Arca.
No fundo do vazio,
Afunda sem ar
Dentro de si mesma.

sábado, 30 de maio de 2009

Obrigado.

Quando sonho brinco com a realidade,
E ao acordar, ela que brinca comigo.
Dou graças por estar vivo ao bom Deus.

domingo, 24 de maio de 2009

Pobre homem

Sim, sofro mais do que você pensa.
Minha mente batalha com meu coração.
Mas por instinto me guiaram
Até aonde eu nunca pensei chegar.
Por aqui me confesso,
Mas quem deve saber, já sabe de tudo.
Inclusive o que vou escrever na próxima linha
E o que o leitor pensa do que eu escrevo.
Penso que serão poucos
Que me interpretarão da maneira correcta.
Mas sei que dizem que o bom é bom
Sem saber o que é o mal.
Os homens precisam saber que são
Apenas homens, que podem ter uma espada
Ou escolher morrer sem se defender
Pensando que sabem muito.

Guerra

Talvez não sinta minhas mãos
Nas minhas mãos
Talvez esteja transcedendo
Ou algo apoderando-se de mim
Mas não, outro algo não quer isto.
Que batalha, que guerra
Todas as bombas caem em mim
Mas eu não sei lutar.
Apenas ser bombardeado
Eu não estou em guerra
Eles estão.
Porquê estou eu aqui?
Para sofrer?
Não, para voar e minhas asas queimarem.
Mas sou um pátio.
Como pátios hão de voar?
Batalha entre uma espada de fogo
E outra coisa que não sei o que é.
Mas é em forma de besta.
Eu sou um território sendo defendido
Mas a minha população pode querer se render.
Ou pode querer lutar.
Para que a guerra existe?
Eu é que sofro com ela.
Tenho que chorar na minha vida.
Porquê o mal também não é bom?
Porquê fazer o errado é tão bom?
Porquê ninguém responde minhas perguntas?
Porquê existe o porquê?
Quando podíamos apenas aceitar
E tudo seria muito mais fácil...

Pátio

Não sou nada
Apenas o pátio
Onde se dá a batalha
De tudo que é antagónico.
Eu sou tudo,
Sou tudo o que eles ganham
Não o pátio,
Mas eu por uma eternidade.

Lua Calma.

A melhor morte que posso ter
É mergulhar nos olhos dela e me afogar.
Sua visão assim, sempre vou ser,
E o amor dela em mim para sempre vai estar.

De um jeito assim, minh'alma queimará.
As asas molhadas, para secar no calor do Sol,
E do seu lado andar para te amparar.
Transpassar seus braços, mas sentir o seu calor.

Pelo choro dela não me salvei.
Mas nas suas lágrimas de cloro para sempre descansei,
Esperando por ela que nunca vai morrer.
Finalmente vou mostrá-la às estrelas.

O bem não é bem, o mal não é mal.

Nunca entre a vida e a morte está um ser.
Nos deram o livre arbítrio para escolher,
Mas aquilo que aspiro não posso nunca ter.
A escolha de para sempre no corpo viver.

Não sabemos o que pedir.
O melhor é receber,
Uma boa carne, ou um bom fruto
Das mãos de uma Eva sedutora.

Eu também comeria o fruto,
Pois se Deus não quisesse que o mundo fosse assim,
Não existiria a carne, os olhos, as mãos, o coração.
Menos o Deus.

O homem é a vida?
O homem é a morte?
Não. O homem é a intersecção móvel.
Que pode seguir a recta errada.

domingo, 17 de maio de 2009

Pósvida e o amor.

Era uma vez
Uma mulher que queria casar
Seu nome era Pósvida.
Mas todos os homens
Brancos como eram,
Não seriam felizes,
Para ela.
De repente, se viu a cair
Do barco nas águas do rio.
Mas as pessoas lá não tinham cor.
Excepto uma que não tinha rosto,
Vestia preto e estava sempre a viajar,
E a ganhar as moedas que todos olhavam
Nos olhos fechados.
Pósvida deu-lhe moedas também,
Mas ele não disse obrigado.

O marido não tem rosto,
Pósvida não tem cor.
Pelas moedas do rosto não composto,
Na sua viagem nasceu o amor.

Pólos

Vida, morte e antagônico.
Espada pela boca,
Defesa de um ser anônimo,
Morre um ninguém de alma oca.

Intersecção do oposto.
Paralelos em diferentes planos.
O espírito faz voar sobreposto.
Já foram pagos todos os erros mundanos.

sábado, 16 de maio de 2009

Uma negação dolorida

Estranho é o que estou a pensar.
Aquilo que ter dúvidas faz.
Não é não. Sim! É nãos.
Seria melhor se não fosse não.
O sujeito poético só disse sim.
Outra pessoa por enquanto só não.
Mas quem escreve a poesia,
É quem diz sim ao fim.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Artigo Indefinido

Hoje esqueci do que vi.
Mas vi como Alberto Caeiro,
Mostraram-me o significado de algo,
Mas era inútil.
Não pensei nisto, apenas passou.
Dentro de uma cidade.
Não que eu esteja preso em liberdade,
Mas vi e agi como se estivesse.
Mas não estou,
Assustado.

Não estou pensando,
Apenas uso de meios humanos,
Para tentar reproduzir o que vi.
Mas não lembro de nada.
Apenas de um branco na memória
Agora, não, agora, não, agora...
O presente é passado.
Não me lembro do presente daquela palavra,
Apenas lembro que esqueci.

Guerrática

Duas cruzes formam uma suástica,
Mesmo assim, parecendo tão santo,
Caíste aos pés desta suicida prática,
A honra é preservada, chega o pranto,
Malucos, suicidas, cena drástica.
Do fogo avermelhado há canto.
O choro trocado, felicidade lunática.
Algo passou. É a Morte e seu encanto.
Mas sempre, para mim, enigmática.

Morte, é pouco para quem fica
Pois o tudo que antes não havia,
Pela via cogumelunática,
Nos dá uma vida emblemática,
Que sempre condena a suástica,
Mas que faz versos com essa rima fantástica.
Grande fonemática?
Arte, ou estudo de terminar em ática.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Anjo em Ezequiel

Uma criatura,
De pés, pernas, asas, jóias e cabeça;
Escolheu o que quis ser.
Sentiu algo único,
No paraíso.
Caiu. O dia noite se tornou.
Morte, e vida chocaram-se
E aquela caiu.
E quer levá-los junto.
Mas deles apenas um a venceu.
Não tenho o que dizer,
Pois tenho uma espada em minha boca.
Combate do ranger dos dentes.
Dura já desde a queda.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sexo e poesia.

O suor escorre pelas mãos.
As mãos escorrem pelo corpo.
O corpo escorre pelo prazer.
O prazer escorre pela língua.
A língua escorre pela boca.
A boca escorre pelos gemidos.
Os gemidos escorrem pela garganta.
Pela garganta escorrem as palavras.
Pelas palavras escorre o poeta.

A espera eterna.

A importância não está aqui,
Ele que pagará pelos seus pecados.
Assim como a sua pureza, roubou
O óbolo que estava em seus olhos.
Aqui está preso.
Como as chagas estão no cordeiro,
Não pode pagar com as próprias feridas.
A Morte, não bebe do sangue ou come do corpo sagrado,
Mas o impuro ela deseja.
E sentado na costa, cantando pras almas
Cego, lembrou de algo grande
Sendo um sacrifício para eternidade.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mãos de alguém

Hoje não estou inspirado.
Algo caiu sobre mim,
Aquilo que os homens chamam de cansaço.
Como a chuva sem Santa Bárbara,
Estou eu a escrever este poema.
Nunca acreditei nesta da Igreja Ortodoxa,
Não sou pagão por isso,
Só não acredito em Santa Bárbara.
Mas as boas ações das pessoas,
Talvez a felicidade,
Mas acima de tudo o amor,
Fazem parte do que acredito.
Em todo lugar,
Nos olhares daquilo que não vemos
No sentir daquilo que nós não sabemos
No apoio que conquistamos.
Naquilo que somos,
Por nos ser permitido ser...
Isso deve ser o que ser.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Homem fugido da Aldeia.

Então, eu é que tenho uma vida muito longa para um mundo tão
Pequeno.

Agora que moro fora do meu país, quero subir através do horizonte,
Pelo papel de parede que é o céu.
E depois, olhar a Terra e ver como é que eu sou pequeno,
E o Homem tão...
Grandinho.

Todos tapados com a grandiosidade, que mudou a linha, do meu
Indicador.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Madrugada de 28/04/2009 para o resto da minha vida.

No dia 28 de abril de 2009, meu dia correu de forma muito rápida, mas, paralelamente a isto, com uma grande turbulência. Quando pensei que a data aproximava-se do fim, descobri que algo de novo começava na minha vida. Depois de alguma conversa, deitei-me e dormi, com várias realidades sondando minha mente. A partir deste momento, caí em apenas uma destas. O início de uma nova era começava em uma estrada de terra, em meio à noite de uma floresta sombria.

Eu não estava sozinho, encontrava-me com alguns conhecidos, os quais não tenho grande intimidade, quando repentinamente, passam alguns carros com luzes traseiras da cor vermelha, a menos desviada do branco no espectro de cores. Como se a minha vida, corpo ou alma estivesse dentro daqueles veículos, correndo os persegui até alcançá-los (facto que só se deu depois deles terem parado). No centro de um pátio, feito claro por uma luz amarela, na floresta obscura, eles dispuseram-se em círculo e pararam. Todos eram iguais e da mesma cor preta, todavia eu sabia em qual ir. Abri a porta e deparei-me com um senhor de olhos vivos e azuis. Eu e o mundo julgávamos que ele havia morrido há anos, mas como algo que não existiu há de morrer? Sua cabeça era alva, e surpreendeu-me o facto de ele encontrar-se no interior de um carro, e o que é pior, conduzindo o mesmo. A Natureza Humana o capturou, e antes de percepcionar que havia pensado isto tudo o perguntei: "Quem é você?". O senhor fitou-me calmamente, mas parecia assustado por alguma coisa, talvez por ter sido redescoberto.

Miticamente falando, o pátio neste exacto momento, estava vazio. Ele respondeu-me: "Eu sou Alberto Caeiro". Após dizer isto olhei em volta e havia várias pessoas em pé, e em cadeiras, que se era dispostas como escadas, com mesas à frente. Olhei com rectidão. Olhos azuis estavam em pé na minha frente. Pus minha mão na parte branca dos olhos, ou seja, a cabeça. Passei mal. Uma mulher feia de preto falou algo que não me recordo, mas era algo relacionado à religião.

Percebi, então, que estava no julgamento divino de Alberto Caeiro. Mas o deus dele, não estava lá. Talvez por isso o senhor estivesse dentro de uma Máquina Humana. Os réus eram Humanos Alados, mas não sei se eram anjos. De repente, certas estatuetas (que deviam ser de santos da Igreja Católica) queimaram as asas destes réus (seriam eles anjos?). E o caos reinou no lugar. Menos em um menino, que calmamente lia um livro, e que acho que não tinha asas, talvez por ser demasiado novo e inocente para tal, mas se fossem anjos, quem sabe o menino não tivesse fugido do céu pelo primeiro raio de sol?