sábado, 27 de junho de 2009

Mudo mundo cego e surdo

O pensar é um dom humano.
Não é uma dor ou uma proeza,
Apenas um dom.
Todos os olhos são abertos para o mundo.
Quem não abre os olhos,
Abre os ouvidos.
Quem não abre os olhos ou os ouvidos,
Abre o coração
Para a eterna felicidade
De não escutar o que os mais importantes
Enganam ao pensar.

O poeta cego
Dita poesia do amor que nunca viu,
Mas que ouviu algumas vezes melhor.
O poeta cego diz tudo aquilo que nunca viu,
É o profeta que não vê o presente,
Mas que só um milagre pode fazer,
Saber o futuro que o aguarda.
O poeta cego descreve o amor
E tudo aquilo que julgam que apenas ouviu falar.
Descreve a alegria, mas nunca a viu
Mas quem sabe já sentiu melhor que qualquer um?

Outro poeta surdo nunca ouviu falar do amor
Mas já sentiu sentado no colo de sua mãe
Quando não sabia que existia o alfabeto.
Agora escreve serenatas para serem tocadas
Ao som de sua poesia e de todos os instrumentos
Que ele nunca ouviu...
Não é digno de pena, afinal quem é que faz um trabalho
E não se dá ao trabalho de vê-lo finalizado?
Ele experimentou algo que nenhum ser humano experimentou..
O fazer um trabalho sozinho,
E sentir algo chamado angústia por não conseguir ouvir o trabalho.

Se o poeta cego, ou o poeta surdo escreverem
Sobre tudo aquilo que eles sentem,
Todo o dia a vida das pessoas mudará a cada som,
Ou a cada letra, do alfabeto medíocre que nos rege.
Mas o que ninguém repara é que eles não são mudos.
Escrevem para a multidão de pessoas do mundo,
Que ficam mudos com as palavras surdas e cegas.
Logo, os dois poetas são diferenciados do mundo
Que é doente, mas não por não serem doentes,
Pois todo o ser humano, por isso, já o é,
Mas por terem uma doença diferente e única.

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