Me disseram que o poeta é um fingidor
Cólica hepática fingida?
Não. Mão levantada em direcção ao Sol.
Me escondi, abandonei as palavras,
Pois estas são uma criação do homem,
E não são dignas para uso da Natureza.
Não há palavras para descrever a morte,
Como meu olhar se manifestou no dia trinta,
Mas ninguém me conheceu.
Ninguém me conhece,
Porque já não sou mais como era antes,
Sou velho, e não morri.
Alberto Caeiro em um computador.
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Batalha em sonata
Mãos na cabeça,
O sequestro do espírito
Armado de maldade.
O corpo cai imóvel e inconsciente,
É só um palco.
Os dançarinos dançam.
Todas as melodias impossíveis
Para a carne e para a alma,
Levam um espírito para fora
E outro para o coração.
O sequestro do espírito
Armado de maldade.
O corpo cai imóvel e inconsciente,
É só um palco.
Os dançarinos dançam.
Todas as melodias impossíveis
Para a carne e para a alma,
Levam um espírito para fora
E outro para o coração.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Fortuna
Ó Fortuna interior!
O sol brilha em meu caminho,
E a Lua fica para os clássicos.
Lua crescente, Lua minguante,
A Fortuna não é água salgada
Influenciada por ti,
Ou água doce que se esvai
Até a água salgada.
Água por entre os dedos juntos
Suja no chão,
Forte destrói a embarcação
Fortuna afogada por cima das vidas.
Mente e desejos satisfeitos,
Nunca sentem o peso da Fortuna exterior,
Mas podem fazer tudo com,
Ou por esta malevolência,
Que devora os corações de ouro
E valentes guerreiros
De humanas e sujas ambições.
O sol brilha em meu caminho,
E a Lua fica para os clássicos.
Lua crescente, Lua minguante,
A Fortuna não é água salgada
Influenciada por ti,
Ou água doce que se esvai
Até a água salgada.
Água por entre os dedos juntos
Suja no chão,
Forte destrói a embarcação
Fortuna afogada por cima das vidas.
Mente e desejos satisfeitos,
Nunca sentem o peso da Fortuna exterior,
Mas podem fazer tudo com,
Ou por esta malevolência,
Que devora os corações de ouro
E valentes guerreiros
De humanas e sujas ambições.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Nada...
Esse é um poema sobre nada.
Não tenho o que escrever,
Minha mente está bloqueada.
Para mostrar que para ser
Poeta, não é preciso imaginação avançada.
Não tenho o que escrever,
Minha mente está bloqueada.
Para mostrar que para ser
Poeta, não é preciso imaginação avançada.
sábado, 25 de julho de 2009
Voz
Minha voz fala ao meu pensamento,
Não quero ouvir.
Minha voz é meu pensamento,
Este podia ser rebanhos,
Mas não.
É meu, meu pensamento.
Não é bom.
Falei aos montes,
Falei pelos cotovelos,
Falei sem pensar.
Mas amei sem pensar,
E isso é bom?
Não quero ouvir.
Minha voz é meu pensamento,
Este podia ser rebanhos,
Mas não.
É meu, meu pensamento.
Não é bom.
Falei aos montes,
Falei pelos cotovelos,
Falei sem pensar.
Mas amei sem pensar,
E isso é bom?
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Momentos marcantes
Bom dia bebé,
Boa tarde meu amor,
(Olhando o anoitecer)
Boa noite leitor.
Vamos compartilhar um momento juntos.
Boa tarde meu amor,
(Olhando o anoitecer)
Boa noite leitor.
Vamos compartilhar um momento juntos.
Um arrepio pelo corpo, quero mais.
O mundo tem tantas paredes,
Que fazem os poetas se perderem
Em suas palavras, marcadas de concreto.
De que adianta escrever em todas
E ter um coração vazio?
Paredes são fáceis de arrumar,
Com uma pintura no fundo da alma.
Temos medo de marcar nosso coração,
As consequências são fortes, mas
Não necessariamente firmes.
Fui buscar inspiração não nas paredes,
Mas na poesia que escrevi
Em meu coração pra lembrar
Do meu primeiro amor.
Que fazem os poetas se perderem
Em suas palavras, marcadas de concreto.
De que adianta escrever em todas
E ter um coração vazio?
Paredes são fáceis de arrumar,
Com uma pintura no fundo da alma.
Temos medo de marcar nosso coração,
As consequências são fortes, mas
Não necessariamente firmes.
Fui buscar inspiração não nas paredes,
Mas na poesia que escrevi
Em meu coração pra lembrar
Do meu primeiro amor.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Chuva
Ouvindo diversos sons,
Lembro do dia em que a natureza deu de beber,
À terra do homem agricultor.
Sinto um arrepio percorrer todo meu corpo,
Como o carinho de uma mulher que amo...
Mas a chuva não vem.
A mãe não tem minha vontade,
Salva quando chora e
Mata ao respirar.
Lembro do dia em que a natureza deu de beber,
À terra do homem agricultor.
Sinto um arrepio percorrer todo meu corpo,
Como o carinho de uma mulher que amo...
Mas a chuva não vem.
A mãe não tem minha vontade,
Salva quando chora e
Mata ao respirar.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Jesus Cristo
Hoje em dia,
Ontem em dia,
Amanhã em dia,
Foi e sempre será
O tempo em que ser crucificado,
Deve doer, mesmo quando não pagamos,
Pelos erros de alguém.
Toda espécie primata,
Erecta e bípede,
Mas ainda longe da perfeição,
Não controla nada que cai em suas mãos.
A vontade não escapa do homem.
Barco a motor que possui velas.
Ontem em dia,
Amanhã em dia,
Foi e sempre será
O tempo em que ser crucificado,
Deve doer, mesmo quando não pagamos,
Pelos erros de alguém.
Toda espécie primata,
Erecta e bípede,
Mas ainda longe da perfeição,
Não controla nada que cai em suas mãos.
A vontade não escapa do homem.
Barco a motor que possui velas.
Sangue.
Eles não querem comer.
Na Lua Cheia, Nova, outra,
Seduzir mulheres pelo prazer.
O beijo fatal está em seus dentes e,
É a transformação da alma,
Mas permanência da carne.
Na Lua Cheia, Nova, outra,
Seduzir mulheres pelo prazer.
O beijo fatal está em seus dentes e,
É a transformação da alma,
Mas permanência da carne.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Poesia Não-Erótica Nº2
Um dia acordei em outra erótica tarde,
E descobri poesias eróticas de Drummond de Andrade.
Li algo nelas sobre mulheres na praia de uma cidade,
Que imaginei como cinco, menos uma beldade.
De algum jeito, palavras fazem algo crescer dentro da gente,
Sob o sol sem vida de Ostende, que torna o prazer não presente
De cada letra da nossa vida existente.
Margarida, Margarida, não tires meu coração
Margarida, minha linda, já tiveste tua refeição
Lembre da Dulce, doce de menina.
Estivemos todos juntos na minha caminha.
Meu coração está em ti Maragarida
Mas sei que me traíste em grupos de dez.
Tão triste e agora tão transpassado
Tu, mulher! Deste meu coração de comer
Ao lindo Anonimato
E ele comeu, bebeu e fez de tudo um bocado.
E descobri poesias eróticas de Drummond de Andrade.
Li algo nelas sobre mulheres na praia de uma cidade,
Que imaginei como cinco, menos uma beldade.
De algum jeito, palavras fazem algo crescer dentro da gente,
Sob o sol sem vida de Ostende, que torna o prazer não presente
De cada letra da nossa vida existente.
Margarida, Margarida, não tires meu coração
Margarida, minha linda, já tiveste tua refeição
Lembre da Dulce, doce de menina.
Estivemos todos juntos na minha caminha.
Meu coração está em ti Maragarida
Mas sei que me traíste em grupos de dez.
Tão triste e agora tão transpassado
Tu, mulher! Deste meu coração de comer
Ao lindo Anonimato
E ele comeu, bebeu e fez de tudo um bocado.
domingo, 5 de julho de 2009
Um pecado?
Um dia acordei numa erótica tarde
Com o céu vermelho sem nenhuma paragem
E pensei:
"Vou ler as poesias eróticas de Manuel Maria Du Bocage"
Dum lado eu tinha a Bíblia,
Do outro as poesias de Manuel Maria.
O que fazer, por esses prazeres da carne
Que foram proporcionados a Manuel Du Bocage?
Sentir, aquilo que talvez alguém sentiu. O quê?
Palavras, só palavras não me excitam.
Sem serem ditas pela dama do prazer.
Então vou meditar na palavra de Deus...
Com o céu vermelho sem nenhuma paragem
E pensei:
"Vou ler as poesias eróticas de Manuel Maria Du Bocage"
Dum lado eu tinha a Bíblia,
Do outro as poesias de Manuel Maria.
O que fazer, por esses prazeres da carne
Que foram proporcionados a Manuel Du Bocage?
Sentir, aquilo que talvez alguém sentiu. O quê?
Palavras, só palavras não me excitam.
Sem serem ditas pela dama do prazer.
Então vou meditar na palavra de Deus...
terça-feira, 30 de junho de 2009
A Criança de Alberto Caeiro
Quero escrever sobre o pensar,
Mas acho piada o jeito como aqueles que se julgam espertos dão pelas cousas.
Eles não percebem que o único segredo das cousas,
Que tudo o que eles procuraram até agora,
É apenas a natureza, e que não há sentido oculto nenhum.
Adoro brincar com a Natureza,
Sinto-me criança deitada à relva, brincando com um animal qualquer,
Quando lá longe, em uma casa,
A velha senhora a chama para a janta que já está servida.
Mas esta criança sempre, mas sempre
Esquece de lavar as mãos, pois não consegue ser perfeita,
Assim como a Natureza.
Mas acho piada o jeito como aqueles que se julgam espertos dão pelas cousas.
Eles não percebem que o único segredo das cousas,
Que tudo o que eles procuraram até agora,
É apenas a natureza, e que não há sentido oculto nenhum.
Adoro brincar com a Natureza,
Sinto-me criança deitada à relva, brincando com um animal qualquer,
Quando lá longe, em uma casa,
A velha senhora a chama para a janta que já está servida.
Mas esta criança sempre, mas sempre
Esquece de lavar as mãos, pois não consegue ser perfeita,
Assim como a Natureza.
Medo de ficar sozinho
Escrevo pelas paredes
Dos prédios doentes,
Sobre as pessoas sem parentes,
Não obstantes da mão erguida
E do amor não recebido em seu favor.
Quem tem medo, tem alma
Quem tem alma, é frágil,
Mas quem tem medo é forte.
Medo pára, medo salva
Medo mata, medo, medo.
Dos prédios doentes,
Sobre as pessoas sem parentes,
Não obstantes da mão erguida
E do amor não recebido em seu favor.
Quem tem medo, tem alma
Quem tem alma, é frágil,
Mas quem tem medo é forte.
Medo pára, medo salva
Medo mata, medo, medo.
sábado, 27 de junho de 2009
Mudo mundo cego e surdo
O pensar é um dom humano.
Não é uma dor ou uma proeza,
Apenas um dom.
Todos os olhos são abertos para o mundo.
Quem não abre os olhos,
Abre os ouvidos.
Quem não abre os olhos ou os ouvidos,
Abre o coração
Para a eterna felicidade
De não escutar o que os mais importantes
Enganam ao pensar.
O poeta cego
Dita poesia do amor que nunca viu,
Mas que ouviu algumas vezes melhor.
O poeta cego diz tudo aquilo que nunca viu,
É o profeta que não vê o presente,
Mas que só um milagre pode fazer,
Saber o futuro que o aguarda.
O poeta cego descreve o amor
E tudo aquilo que julgam que apenas ouviu falar.
Descreve a alegria, mas nunca a viu
Mas quem sabe já sentiu melhor que qualquer um?
Outro poeta surdo nunca ouviu falar do amor
Mas já sentiu sentado no colo de sua mãe
Quando não sabia que existia o alfabeto.
Agora escreve serenatas para serem tocadas
Ao som de sua poesia e de todos os instrumentos
Que ele nunca ouviu...
Não é digno de pena, afinal quem é que faz um trabalho
E não se dá ao trabalho de vê-lo finalizado?
Ele experimentou algo que nenhum ser humano experimentou..
O fazer um trabalho sozinho,
E sentir algo chamado angústia por não conseguir ouvir o trabalho.
Se o poeta cego, ou o poeta surdo escreverem
Sobre tudo aquilo que eles sentem,
Todo o dia a vida das pessoas mudará a cada som,
Ou a cada letra, do alfabeto medíocre que nos rege.
Mas o que ninguém repara é que eles não são mudos.
Escrevem para a multidão de pessoas do mundo,
Que ficam mudos com as palavras surdas e cegas.
Logo, os dois poetas são diferenciados do mundo
Que é doente, mas não por não serem doentes,
Pois todo o ser humano, por isso, já o é,
Mas por terem uma doença diferente e única.
Não é uma dor ou uma proeza,
Apenas um dom.
Todos os olhos são abertos para o mundo.
Quem não abre os olhos,
Abre os ouvidos.
Quem não abre os olhos ou os ouvidos,
Abre o coração
Para a eterna felicidade
De não escutar o que os mais importantes
Enganam ao pensar.
O poeta cego
Dita poesia do amor que nunca viu,
Mas que ouviu algumas vezes melhor.
O poeta cego diz tudo aquilo que nunca viu,
É o profeta que não vê o presente,
Mas que só um milagre pode fazer,
Saber o futuro que o aguarda.
O poeta cego descreve o amor
E tudo aquilo que julgam que apenas ouviu falar.
Descreve a alegria, mas nunca a viu
Mas quem sabe já sentiu melhor que qualquer um?
Outro poeta surdo nunca ouviu falar do amor
Mas já sentiu sentado no colo de sua mãe
Quando não sabia que existia o alfabeto.
Agora escreve serenatas para serem tocadas
Ao som de sua poesia e de todos os instrumentos
Que ele nunca ouviu...
Não é digno de pena, afinal quem é que faz um trabalho
E não se dá ao trabalho de vê-lo finalizado?
Ele experimentou algo que nenhum ser humano experimentou..
O fazer um trabalho sozinho,
E sentir algo chamado angústia por não conseguir ouvir o trabalho.
Se o poeta cego, ou o poeta surdo escreverem
Sobre tudo aquilo que eles sentem,
Todo o dia a vida das pessoas mudará a cada som,
Ou a cada letra, do alfabeto medíocre que nos rege.
Mas o que ninguém repara é que eles não são mudos.
Escrevem para a multidão de pessoas do mundo,
Que ficam mudos com as palavras surdas e cegas.
Logo, os dois poetas são diferenciados do mundo
Que é doente, mas não por não serem doentes,
Pois todo o ser humano, por isso, já o é,
Mas por terem uma doença diferente e única.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Caminhos Divergentes
O poeta é um místico?
Quem carrega todo nosso sobrenatural,
É aquilo que está em todo lugar
E não é visto por olhos de carne.
Cegos da vista humana,
Ou olhos cheios de dom divino,
Podem ver o que ninguém ouve,
Mas que fala ao ouvido de todos.
O nosso amanhã,
Está nas mãos de algo sobrenatural,
Não que isso signifique que temos um destino.
Temos um plano, a ser seguido, ou não.
Você escolhe o aperto ou ser cômodo.
Quem carrega todo nosso sobrenatural,
É aquilo que está em todo lugar
E não é visto por olhos de carne.
Cegos da vista humana,
Ou olhos cheios de dom divino,
Podem ver o que ninguém ouve,
Mas que fala ao ouvido de todos.
O nosso amanhã,
Está nas mãos de algo sobrenatural,
Não que isso signifique que temos um destino.
Temos um plano, a ser seguido, ou não.
Você escolhe o aperto ou ser cômodo.
terça-feira, 23 de junho de 2009
O Diabo age.
Já ouvi falar que todo misticismo era mentira
Mas que não acreditava em misticismo
Porque aquilo em que se acredita não é místico.
Não é uma figura abstrata aquilo que no espírito está,
Mas não somos capazes de dar por isso,
Pois o nosso pensar não é um automóvel potente cheio de combustível.
Procura-se a fórmula para ser um deus,
Se você conseguir a resposta diga a este por enquanto pobre homem...
Seja misericordioso como Deus...
O que tentou ser três,
Não conseguiu, mais do que cair
E manchar todo o alvo com sangue de suas próprias setas.
Mas que não acreditava em misticismo
Porque aquilo em que se acredita não é místico.
Não é uma figura abstrata aquilo que no espírito está,
Mas não somos capazes de dar por isso,
Pois o nosso pensar não é um automóvel potente cheio de combustível.
Procura-se a fórmula para ser um deus,
Se você conseguir a resposta diga a este por enquanto pobre homem...
Seja misericordioso como Deus...
O que tentou ser três,
Não conseguiu, mais do que cair
E manchar todo o alvo com sangue de suas próprias setas.
Maior que eu
Ele apareceu em forma de amor.
Todo o conteúdo que define
A forma, seu pensamento modelou.
Acaba o dia entra a noite.
Nas escuridões, as luzes são seus olhos,
E o tato pelas paredes,
É a mão dele no corpo amparando
Todo nosso caos.
Muito obrigado ser,
Por estar aqui comigo,
E por permitir o meu ser
Ser não mais que o ser,
E por você, ser que eu amo,
Ser o ser que eu sou,
Mais o ser que eu nunca vou ser.
Porque há quem escreva quaisquer coisas pelas paredes,
Quando acabam as árvores de frutos proibidos,
No jardim do Éden poético?
Se o seu ser tem um coração vazio,
Pronto para ser preenchido?
Todo o conteúdo que define
A forma, seu pensamento modelou.
Acaba o dia entra a noite.
Nas escuridões, as luzes são seus olhos,
E o tato pelas paredes,
É a mão dele no corpo amparando
Todo nosso caos.
Muito obrigado ser,
Por estar aqui comigo,
E por permitir o meu ser
Ser não mais que o ser,
E por você, ser que eu amo,
Ser o ser que eu sou,
Mais o ser que eu nunca vou ser.
Porque há quem escreva quaisquer coisas pelas paredes,
Quando acabam as árvores de frutos proibidos,
No jardim do Éden poético?
Se o seu ser tem um coração vazio,
Pronto para ser preenchido?
domingo, 14 de junho de 2009
Sem título e sem palavras
Tenho o cheiro dela em meus lábios,
Lembrança de um momento perfeito
No qual navegámos juntos
Através de um horizonte de palavras
E de sentimentos tão intensos
Que nem nós mesmos damos conta
Que estiveram todos presentes
Caminhando de mãos dadas connosco.
Lembrança de um momento perfeito
No qual navegámos juntos
Através de um horizonte de palavras
E de sentimentos tão intensos
Que nem nós mesmos damos conta
Que estiveram todos presentes
Caminhando de mãos dadas connosco.
sábado, 13 de junho de 2009
A felicidade de Alberto Caeiro
O espelho me mostra uma informação
Olho mas não interpreto,
E não me dou conta que existe uma informação.
O que é informação?
Não quero saber...
É algo abstrato que não farei forças para concretizar
Porque não sei o que é abstrato, nem o que é concretizar...
Não sei de nada,
Apenas que quanto mais souber,
Mais abstrato posso ser,
E um rio molha minha visão.
As árvores, e as ervas estão no campo
E todas as folhas apontam com a cabeça
Na direcção do vento,
Porque ouvi falar que depois da chuva que cai sem Santa Bárbara,
E do raio de Sol que traz o menino Jesus à terra,
Um pote de ouro aguarda no pé de muitas cores...
Mas se não vejo além das montanhas,
Não existe pote de ouro,
E a Natureza brinca comigo,
E eu peço desculpas, por ter lembrado disto tudo.
Olho mas não interpreto,
E não me dou conta que existe uma informação.
O que é informação?
Não quero saber...
É algo abstrato que não farei forças para concretizar
Porque não sei o que é abstrato, nem o que é concretizar...
Não sei de nada,
Apenas que quanto mais souber,
Mais abstrato posso ser,
E um rio molha minha visão.
As árvores, e as ervas estão no campo
E todas as folhas apontam com a cabeça
Na direcção do vento,
Porque ouvi falar que depois da chuva que cai sem Santa Bárbara,
E do raio de Sol que traz o menino Jesus à terra,
Um pote de ouro aguarda no pé de muitas cores...
Mas se não vejo além das montanhas,
Não existe pote de ouro,
E a Natureza brinca comigo,
E eu peço desculpas, por ter lembrado disto tudo.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Simplesmente, não há.
Meu dever seria tentar comparar
O que de forma abstrata existe,
Com o que simplesmente há.
Do mesmo modo como o que é,
É. O que não é, não é.
Para que tentar olhar para outro lugar
Se não aquilo que nos meus olhos está?
Comparar de certa forma é ofender
O que se sente é único.
E se em nós está a se esconder,
É porque não é nada deste visto mundo.
O que de forma abstrata existe,
Com o que simplesmente há.
Do mesmo modo como o que é,
É. O que não é, não é.
Para que tentar olhar para outro lugar
Se não aquilo que nos meus olhos está?
Comparar de certa forma é ofender
O que se sente é único.
E se em nós está a se esconder,
É porque não é nada deste visto mundo.
O que é amor?
O ser humano ama
Quando não sabe
Mais o que é amar.
Tudo o que se sente
Parece transpor as letras de amor.
E amor é muito pouco
Para descrever o que há.
Sendo isto pecado,
O amor é indefinível,
E sempre que é dito
De forma verdadeira,
A mentira construi.
Para Sabina
Quando não sabe
Mais o que é amar.
Tudo o que se sente
Parece transpor as letras de amor.
E amor é muito pouco
Para descrever o que há.
Sendo isto pecado,
O amor é indefinível,
E sempre que é dito
De forma verdadeira,
A mentira construi.
Para Sabina
terça-feira, 9 de junho de 2009
Introspecção Amorosa
O amanhecer trouxe algo esquisito
Que não dá para segurar entre os dedos
Ou então para dar vocábulos azedos.
Digo que pensei no aquilo.
Introspeccionei-me
Intelectualizei tudo o que existe.
O meu aquilo, mesmo fora do Id,
Foge ao controle do meu regime.
O nome do meu estímulo
É a mais bonita menina
Vivendo em mim na minha rotina.
Até o colocar do último óbolo.
Que não dá para segurar entre os dedos
Ou então para dar vocábulos azedos.
Digo que pensei no aquilo.
Introspeccionei-me
Intelectualizei tudo o que existe.
O meu aquilo, mesmo fora do Id,
Foge ao controle do meu regime.
O nome do meu estímulo
É a mais bonita menina
Vivendo em mim na minha rotina.
Até o colocar do último óbolo.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Era uma vez...
Poderia bonito escrever,
Mas da forma simples é meu jeito de ser.
Quem escreve muito difícil, vai ver
Que é porque não tem mulher para comer.
Mas da forma simples é meu jeito de ser.
Quem escreve muito difícil, vai ver
Que é porque não tem mulher para comer.
Crítica
Tudo que nasce é errado
Pois do sexo foi criado.
Uma vez consumado
Constitui a face clara do pecado.
Verbi gratia - tu tens essa cara
Que pede misericórdia por nada.
A culpa não é tua otário de uma lata,
E sim da tua mãe de buceta ejaculada.
Não sou agressivo,
Apenas dono de defeitos do povo
Que tem os olhos tapados
E sente dor no olho atrás da cabeça.
Pois do sexo foi criado.
Uma vez consumado
Constitui a face clara do pecado.
Verbi gratia - tu tens essa cara
Que pede misericórdia por nada.
A culpa não é tua otário de uma lata,
E sim da tua mãe de buceta ejaculada.
Não sou agressivo,
Apenas dono de defeitos do povo
Que tem os olhos tapados
E sente dor no olho atrás da cabeça.
O feto do dia de amanhã
Acordo sem saber o que escrever.
Nenhum dia se repete,
Todos os momentos são enterrados,
E alguns mesmo vivos.
Na vida podemos pensar
Mas não sabemos como prever
No entanto, temos a chave do fazer
Abrimos as portas que queremos.
Somos o feto de todos os dias
A mãe natureza fuma e bebe.
E somos influenciados
Pelo meio em que vivemos.
Nenhum dia se repete,
Todos os momentos são enterrados,
E alguns mesmo vivos.
Na vida podemos pensar
Mas não sabemos como prever
No entanto, temos a chave do fazer
Abrimos as portas que queremos.
Somos o feto de todos os dias
A mãe natureza fuma e bebe.
E somos influenciados
Pelo meio em que vivemos.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
O mais inteligente não pensa.
É um absurdo falar de Deus
Como alguém que pensa.
Pois isto seria compará-lo ao ser.
Quando Ele é algo acima do não ser.
Que tudo que é não imagina.
Apenas tudo é o que não pensamos.
Caeiro acertou, pensar incomoda.
Por isso Deus não pensa,
Mas deve ser mais desenvolvido,
E não inventou a dor de cabeça para si.
Como alguém que pensa.
Pois isto seria compará-lo ao ser.
Quando Ele é algo acima do não ser.
Que tudo que é não imagina.
Apenas tudo é o que não pensamos.
Caeiro acertou, pensar incomoda.
Por isso Deus não pensa,
Mas deve ser mais desenvolvido,
E não inventou a dor de cabeça para si.
O alcochoado de ouro.
Lutar pelo meu trono para que?
Ele nunca esteve ao meu alcance,
Não há de estar agora.
Dos reis sempre haverá Rei.
Sou o que sou por me ser permitido ser,
Não aceito o meu destino,
Pois escolho a porta das minha casa
Sem saber o que lá hei de encontrar.
Carrego o peso que fiz o meu destino.
Será meu destino fazer meu destino?
Ele nunca esteve ao meu alcance,
Não há de estar agora.
Dos reis sempre haverá Rei.
Sou o que sou por me ser permitido ser,
Não aceito o meu destino,
Pois escolho a porta das minha casa
Sem saber o que lá hei de encontrar.
Carrego o peso que fiz o meu destino.
Será meu destino fazer meu destino?
terça-feira, 2 de junho de 2009
Gênesis e Apocalipse
O humano que nunca dormiu
Acordou em um sonho sombrio.
Um fim pessoal que aconteceu
É contínuo para todos menos um.
Nunca morreu, nunca existiu
Valeu a pena escrever seus sonhos
E recebê-lo no seu corpo.
Para ver algo caindo
Do primeiro raio do Sol.
Uma mão se levanta
E dá um fim a algo sem começo.
É como matar a Deus,
Que nada pensa
Antes de fazê-lo.
Roubo da obra do primeiro livro
O autor fez muito mais do que podia?
Sempre diz que está tudo sob controle.
Mas o que não existe morreu
E Ele não.
Acordou em um sonho sombrio.
Um fim pessoal que aconteceu
É contínuo para todos menos um.
Nunca morreu, nunca existiu
Valeu a pena escrever seus sonhos
E recebê-lo no seu corpo.
Para ver algo caindo
Do primeiro raio do Sol.
Uma mão se levanta
E dá um fim a algo sem começo.
É como matar a Deus,
Que nada pensa
Antes de fazê-lo.
Roubo da obra do primeiro livro
O autor fez muito mais do que podia?
Sempre diz que está tudo sob controle.
Mas o que não existe morreu
E Ele não.
Não dá pra ser aprendiz.
Um mago de palavras
Um pouco velho, por sinal
Compartilhou um momento
De existência espacial
Temporal e pessoal com pessoas.
Sua magia é vendida
Mas sem a fórmula necessária.
Que nem o mago tem,
Pois a conhece por acaso, em um dom
Não compartilhado.
Um pouco velho, por sinal
Compartilhou um momento
De existência espacial
Temporal e pessoal com pessoas.
Sua magia é vendida
Mas sem a fórmula necessária.
Que nem o mago tem,
Pois a conhece por acaso, em um dom
Não compartilhado.
Intra-antagônico.
O antagônico é duas coisas
Que lutam por coisas
Que todas as coisas querem,
Mas não fazem coisa alguma para alcançar.
O coração é o antagonismo humano.
Nele tudo o que entra sai,
Mas quando entra está saindo.
Então não entendo, o motivo
Dos semelhantes se verem diferentes.
Que lutam por coisas
Que todas as coisas querem,
Mas não fazem coisa alguma para alcançar.
O coração é o antagonismo humano.
Nele tudo o que entra sai,
Mas quando entra está saindo.
Então não entendo, o motivo
Dos semelhantes se verem diferentes.
domingo, 31 de maio de 2009
À vida de olhos azuis.
Um dia conheci um poeta.
Ele não era um mentiroso,
Mas era um fingidor.
Fez algumas revelações
Sobre o que não existiu,
Que está vivo
E nunca morreu.
Nunca levantou a mão direita
Mas seu corpo deambula.
Pela cidade que um dia odiou.
Perdido veio parar nos pensamentos,
Para escapulir ao mundo
Que o inexistente
Tem o seu nome na eternidade real.
Ele não era um mentiroso,
Mas era um fingidor.
Fez algumas revelações
Sobre o que não existiu,
Que está vivo
E nunca morreu.
Nunca levantou a mão direita
Mas seu corpo deambula.
Pela cidade que um dia odiou.
Perdido veio parar nos pensamentos,
Para escapulir ao mundo
Que o inexistente
Tem o seu nome na eternidade real.
Apoluidora.
Pássaros e borboletas
Começam a mover montanhas.
A semente humana
É auto-fragilizada.
Depois do fim do dia,
Nunca mais amanhecerá.
Noé nunca imaginou
Que seus filhos seriam
A vergonha da Arca.
No fundo do vazio,
Afunda sem ar
Dentro de si mesma.
Começam a mover montanhas.
A semente humana
É auto-fragilizada.
Depois do fim do dia,
Nunca mais amanhecerá.
Noé nunca imaginou
Que seus filhos seriam
A vergonha da Arca.
No fundo do vazio,
Afunda sem ar
Dentro de si mesma.
sábado, 30 de maio de 2009
Obrigado.
Quando sonho brinco com a realidade,
E ao acordar, ela que brinca comigo.
Dou graças por estar vivo ao bom Deus.
E ao acordar, ela que brinca comigo.
Dou graças por estar vivo ao bom Deus.
domingo, 24 de maio de 2009
Pobre homem
Sim, sofro mais do que você pensa.
Minha mente batalha com meu coração.
Mas por instinto me guiaram
Até aonde eu nunca pensei chegar.
Por aqui me confesso,
Mas quem deve saber, já sabe de tudo.
Inclusive o que vou escrever na próxima linha
E o que o leitor pensa do que eu escrevo.
Penso que serão poucos
Que me interpretarão da maneira correcta.
Mas sei que dizem que o bom é bom
Sem saber o que é o mal.
Os homens precisam saber que são
Apenas homens, que podem ter uma espada
Ou escolher morrer sem se defender
Pensando que sabem muito.
Minha mente batalha com meu coração.
Mas por instinto me guiaram
Até aonde eu nunca pensei chegar.
Por aqui me confesso,
Mas quem deve saber, já sabe de tudo.
Inclusive o que vou escrever na próxima linha
E o que o leitor pensa do que eu escrevo.
Penso que serão poucos
Que me interpretarão da maneira correcta.
Mas sei que dizem que o bom é bom
Sem saber o que é o mal.
Os homens precisam saber que são
Apenas homens, que podem ter uma espada
Ou escolher morrer sem se defender
Pensando que sabem muito.
Guerra
Talvez não sinta minhas mãos
Nas minhas mãos
Talvez esteja transcedendo
Ou algo apoderando-se de mim
Mas não, outro algo não quer isto.
Que batalha, que guerra
Todas as bombas caem em mim
Mas eu não sei lutar.
Apenas ser bombardeado
Eu não estou em guerra
Eles estão.
Porquê estou eu aqui?
Para sofrer?
Não, para voar e minhas asas queimarem.
Mas sou um pátio.
Como pátios hão de voar?
Batalha entre uma espada de fogo
E outra coisa que não sei o que é.
Mas é em forma de besta.
Eu sou um território sendo defendido
Mas a minha população pode querer se render.
Ou pode querer lutar.
Para que a guerra existe?
Eu é que sofro com ela.
Tenho que chorar na minha vida.
Porquê o mal também não é bom?
Porquê fazer o errado é tão bom?
Porquê ninguém responde minhas perguntas?
Porquê existe o porquê?
Quando podíamos apenas aceitar
E tudo seria muito mais fácil...
Nas minhas mãos
Talvez esteja transcedendo
Ou algo apoderando-se de mim
Mas não, outro algo não quer isto.
Que batalha, que guerra
Todas as bombas caem em mim
Mas eu não sei lutar.
Apenas ser bombardeado
Eu não estou em guerra
Eles estão.
Porquê estou eu aqui?
Para sofrer?
Não, para voar e minhas asas queimarem.
Mas sou um pátio.
Como pátios hão de voar?
Batalha entre uma espada de fogo
E outra coisa que não sei o que é.
Mas é em forma de besta.
Eu sou um território sendo defendido
Mas a minha população pode querer se render.
Ou pode querer lutar.
Para que a guerra existe?
Eu é que sofro com ela.
Tenho que chorar na minha vida.
Porquê o mal também não é bom?
Porquê fazer o errado é tão bom?
Porquê ninguém responde minhas perguntas?
Porquê existe o porquê?
Quando podíamos apenas aceitar
E tudo seria muito mais fácil...
Pátio
Não sou nada
Apenas o pátio
Onde se dá a batalha
De tudo que é antagónico.
Eu sou tudo,
Sou tudo o que eles ganham
Não o pátio,
Mas eu por uma eternidade.
Apenas o pátio
Onde se dá a batalha
De tudo que é antagónico.
Eu sou tudo,
Sou tudo o que eles ganham
Não o pátio,
Mas eu por uma eternidade.
Lua Calma.
A melhor morte que posso ter
É mergulhar nos olhos dela e me afogar.
Sua visão assim, sempre vou ser,
E o amor dela em mim para sempre vai estar.
De um jeito assim, minh'alma queimará.
As asas molhadas, para secar no calor do Sol,
E do seu lado andar para te amparar.
Transpassar seus braços, mas sentir o seu calor.
Pelo choro dela não me salvei.
Mas nas suas lágrimas de cloro para sempre descansei,
Esperando por ela que nunca vai morrer.
Finalmente vou mostrá-la às estrelas.
É mergulhar nos olhos dela e me afogar.
Sua visão assim, sempre vou ser,
E o amor dela em mim para sempre vai estar.
De um jeito assim, minh'alma queimará.
As asas molhadas, para secar no calor do Sol,
E do seu lado andar para te amparar.
Transpassar seus braços, mas sentir o seu calor.
Pelo choro dela não me salvei.
Mas nas suas lágrimas de cloro para sempre descansei,
Esperando por ela que nunca vai morrer.
Finalmente vou mostrá-la às estrelas.
O bem não é bem, o mal não é mal.
Nunca entre a vida e a morte está um ser.
Nos deram o livre arbítrio para escolher,
Mas aquilo que aspiro não posso nunca ter.
A escolha de para sempre no corpo viver.
Não sabemos o que pedir.
O melhor é receber,
Uma boa carne, ou um bom fruto
Das mãos de uma Eva sedutora.
Eu também comeria o fruto,
Pois se Deus não quisesse que o mundo fosse assim,
Não existiria a carne, os olhos, as mãos, o coração.
Menos o Deus.
O homem é a vida?
O homem é a morte?
Não. O homem é a intersecção móvel.
Que pode seguir a recta errada.
Nos deram o livre arbítrio para escolher,
Mas aquilo que aspiro não posso nunca ter.
A escolha de para sempre no corpo viver.
Não sabemos o que pedir.
O melhor é receber,
Uma boa carne, ou um bom fruto
Das mãos de uma Eva sedutora.
Eu também comeria o fruto,
Pois se Deus não quisesse que o mundo fosse assim,
Não existiria a carne, os olhos, as mãos, o coração.
Menos o Deus.
O homem é a vida?
O homem é a morte?
Não. O homem é a intersecção móvel.
Que pode seguir a recta errada.
domingo, 17 de maio de 2009
Pósvida e o amor.
Era uma vez
Uma mulher que queria casar
Seu nome era Pósvida.
Mas todos os homens
Brancos como eram,
Não seriam felizes,
Para ela.
De repente, se viu a cair
Do barco nas águas do rio.
Mas as pessoas lá não tinham cor.
Excepto uma que não tinha rosto,
Vestia preto e estava sempre a viajar,
E a ganhar as moedas que todos olhavam
Nos olhos fechados.
Pósvida deu-lhe moedas também,
Mas ele não disse obrigado.
O marido não tem rosto,
Pósvida não tem cor.
Pelas moedas do rosto não composto,
Na sua viagem nasceu o amor.
Uma mulher que queria casar
Seu nome era Pósvida.
Mas todos os homens
Brancos como eram,
Não seriam felizes,
Para ela.
De repente, se viu a cair
Do barco nas águas do rio.
Mas as pessoas lá não tinham cor.
Excepto uma que não tinha rosto,
Vestia preto e estava sempre a viajar,
E a ganhar as moedas que todos olhavam
Nos olhos fechados.
Pósvida deu-lhe moedas também,
Mas ele não disse obrigado.
O marido não tem rosto,
Pósvida não tem cor.
Pelas moedas do rosto não composto,
Na sua viagem nasceu o amor.
Pólos
Vida, morte e antagônico.
Espada pela boca,
Defesa de um ser anônimo,
Morre um ninguém de alma oca.
Intersecção do oposto.
Paralelos em diferentes planos.
O espírito faz voar sobreposto.
Já foram pagos todos os erros mundanos.
Espada pela boca,
Defesa de um ser anônimo,
Morre um ninguém de alma oca.
Intersecção do oposto.
Paralelos em diferentes planos.
O espírito faz voar sobreposto.
Já foram pagos todos os erros mundanos.
sábado, 16 de maio de 2009
Uma negação dolorida
Estranho é o que estou a pensar.
Aquilo que ter dúvidas faz.
Não é não. Sim! É nãos.
Seria melhor se não fosse não.
O sujeito poético só disse sim.
Outra pessoa por enquanto só não.
Mas quem escreve a poesia,
É quem diz sim ao fim.
Aquilo que ter dúvidas faz.
Não é não. Sim! É nãos.
Seria melhor se não fosse não.
O sujeito poético só disse sim.
Outra pessoa por enquanto só não.
Mas quem escreve a poesia,
É quem diz sim ao fim.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Artigo Indefinido
Hoje esqueci do que vi.
Mas vi como Alberto Caeiro,
Mostraram-me o significado de algo,
Mas era inútil.
Não pensei nisto, apenas passou.
Dentro de uma cidade.
Não que eu esteja preso em liberdade,
Mas vi e agi como se estivesse.
Mas não estou,
Assustado.
Não estou pensando,
Apenas uso de meios humanos,
Para tentar reproduzir o que vi.
Mas não lembro de nada.
Apenas de um branco na memória
Agora, não, agora, não, agora...
O presente é passado.
Não me lembro do presente daquela palavra,
Apenas lembro que esqueci.
Mas vi como Alberto Caeiro,
Mostraram-me o significado de algo,
Mas era inútil.
Não pensei nisto, apenas passou.
Dentro de uma cidade.
Não que eu esteja preso em liberdade,
Mas vi e agi como se estivesse.
Mas não estou,
Assustado.
Não estou pensando,
Apenas uso de meios humanos,
Para tentar reproduzir o que vi.
Mas não lembro de nada.
Apenas de um branco na memória
Agora, não, agora, não, agora...
O presente é passado.
Não me lembro do presente daquela palavra,
Apenas lembro que esqueci.
Guerrática
Duas cruzes formam uma suástica,
Mesmo assim, parecendo tão santo,
Caíste aos pés desta suicida prática,
A honra é preservada, chega o pranto,
Malucos, suicidas, cena drástica.
Do fogo avermelhado há canto.
O choro trocado, felicidade lunática.
Algo passou. É a Morte e seu encanto.
Mas sempre, para mim, enigmática.
Morte, é pouco para quem fica
Pois o tudo que antes não havia,
Pela via cogumelunática,
Nos dá uma vida emblemática,
Que sempre condena a suástica,
Mas que faz versos com essa rima fantástica.
Grande fonemática?
Arte, ou estudo de terminar em ática.
Mesmo assim, parecendo tão santo,
Caíste aos pés desta suicida prática,
A honra é preservada, chega o pranto,
Malucos, suicidas, cena drástica.
Do fogo avermelhado há canto.
O choro trocado, felicidade lunática.
Algo passou. É a Morte e seu encanto.
Mas sempre, para mim, enigmática.
Morte, é pouco para quem fica
Pois o tudo que antes não havia,
Pela via cogumelunática,
Nos dá uma vida emblemática,
Que sempre condena a suástica,
Mas que faz versos com essa rima fantástica.
Grande fonemática?
Arte, ou estudo de terminar em ática.
terça-feira, 12 de maio de 2009
O Anjo em Ezequiel
Uma criatura,
De pés, pernas, asas, jóias e cabeça;
Escolheu o que quis ser.
Sentiu algo único,
No paraíso.
Caiu. O dia noite se tornou.
Morte, e vida chocaram-se
E aquela caiu.
E quer levá-los junto.
Mas deles apenas um a venceu.
Não tenho o que dizer,
Pois tenho uma espada em minha boca.
Combate do ranger dos dentes.
Dura já desde a queda.
De pés, pernas, asas, jóias e cabeça;
Escolheu o que quis ser.
Sentiu algo único,
No paraíso.
Caiu. O dia noite se tornou.
Morte, e vida chocaram-se
E aquela caiu.
E quer levá-los junto.
Mas deles apenas um a venceu.
Não tenho o que dizer,
Pois tenho uma espada em minha boca.
Combate do ranger dos dentes.
Dura já desde a queda.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Sexo e poesia.
O suor escorre pelas mãos.
As mãos escorrem pelo corpo.
O corpo escorre pelo prazer.
O prazer escorre pela língua.
A língua escorre pela boca.
A boca escorre pelos gemidos.
Os gemidos escorrem pela garganta.
Pela garganta escorrem as palavras.
Pelas palavras escorre o poeta.
As mãos escorrem pelo corpo.
O corpo escorre pelo prazer.
O prazer escorre pela língua.
A língua escorre pela boca.
A boca escorre pelos gemidos.
Os gemidos escorrem pela garganta.
Pela garganta escorrem as palavras.
Pelas palavras escorre o poeta.
A espera eterna.
A importância não está aqui,
Ele que pagará pelos seus pecados.
Assim como a sua pureza, roubou
O óbolo que estava em seus olhos.
Aqui está preso.
Como as chagas estão no cordeiro,
Não pode pagar com as próprias feridas.
A Morte, não bebe do sangue ou come do corpo sagrado,
Mas o impuro ela deseja.
E sentado na costa, cantando pras almas
Cego, lembrou de algo grande
Sendo um sacrifício para eternidade.
Ele que pagará pelos seus pecados.
Assim como a sua pureza, roubou
O óbolo que estava em seus olhos.
Aqui está preso.
Como as chagas estão no cordeiro,
Não pode pagar com as próprias feridas.
A Morte, não bebe do sangue ou come do corpo sagrado,
Mas o impuro ela deseja.
E sentado na costa, cantando pras almas
Cego, lembrou de algo grande
Sendo um sacrifício para eternidade.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Mãos de alguém
Hoje não estou inspirado.
Algo caiu sobre mim,
Aquilo que os homens chamam de cansaço.
Como a chuva sem Santa Bárbara,
Estou eu a escrever este poema.
Nunca acreditei nesta da Igreja Ortodoxa,
Não sou pagão por isso,
Só não acredito em Santa Bárbara.
Mas as boas ações das pessoas,
Talvez a felicidade,
Mas acima de tudo o amor,
Fazem parte do que acredito.
Em todo lugar,
Nos olhares daquilo que não vemos
No sentir daquilo que nós não sabemos
No apoio que conquistamos.
Naquilo que somos,
Por nos ser permitido ser...
Isso deve ser o que ser.
Algo caiu sobre mim,
Aquilo que os homens chamam de cansaço.
Como a chuva sem Santa Bárbara,
Estou eu a escrever este poema.
Nunca acreditei nesta da Igreja Ortodoxa,
Não sou pagão por isso,
Só não acredito em Santa Bárbara.
Mas as boas ações das pessoas,
Talvez a felicidade,
Mas acima de tudo o amor,
Fazem parte do que acredito.
Em todo lugar,
Nos olhares daquilo que não vemos
No sentir daquilo que nós não sabemos
No apoio que conquistamos.
Naquilo que somos,
Por nos ser permitido ser...
Isso deve ser o que ser.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Homem fugido da Aldeia.
Então, eu é que tenho uma vida muito longa para um mundo tão
Pequeno.
Agora que moro fora do meu país, quero subir através do horizonte,
Pelo papel de parede que é o céu.
E depois, olhar a Terra e ver como é que eu sou pequeno,
E o Homem tão...
Grandinho.
Todos tapados com a grandiosidade, que mudou a linha, do meu
Indicador.
Pequeno.
Agora que moro fora do meu país, quero subir através do horizonte,
Pelo papel de parede que é o céu.
E depois, olhar a Terra e ver como é que eu sou pequeno,
E o Homem tão...
Grandinho.
Todos tapados com a grandiosidade, que mudou a linha, do meu
Indicador.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Madrugada de 28/04/2009 para o resto da minha vida.
No dia 28 de abril de 2009, meu dia correu de forma muito rápida, mas, paralelamente a isto, com uma grande turbulência. Quando pensei que a data aproximava-se do fim, descobri que algo de novo começava na minha vida. Depois de alguma conversa, deitei-me e dormi, com várias realidades sondando minha mente. A partir deste momento, caí em apenas uma destas. O início de uma nova era começava em uma estrada de terra, em meio à noite de uma floresta sombria.
Eu não estava sozinho, encontrava-me com alguns conhecidos, os quais não tenho grande intimidade, quando repentinamente, passam alguns carros com luzes traseiras da cor vermelha, a menos desviada do branco no espectro de cores. Como se a minha vida, corpo ou alma estivesse dentro daqueles veículos, correndo os persegui até alcançá-los (facto que só se deu depois deles terem parado). No centro de um pátio, feito claro por uma luz amarela, na floresta obscura, eles dispuseram-se em círculo e pararam. Todos eram iguais e da mesma cor preta, todavia eu sabia em qual ir. Abri a porta e deparei-me com um senhor de olhos vivos e azuis. Eu e o mundo julgávamos que ele havia morrido há anos, mas como algo que não existiu há de morrer? Sua cabeça era alva, e surpreendeu-me o facto de ele encontrar-se no interior de um carro, e o que é pior, conduzindo o mesmo. A Natureza Humana o capturou, e antes de percepcionar que havia pensado isto tudo o perguntei: "Quem é você?". O senhor fitou-me calmamente, mas parecia assustado por alguma coisa, talvez por ter sido redescoberto.
Miticamente falando, o pátio neste exacto momento, estava vazio. Ele respondeu-me: "Eu sou Alberto Caeiro". Após dizer isto olhei em volta e havia várias pessoas em pé, e em cadeiras, que se era dispostas como escadas, com mesas à frente. Olhei com rectidão. Olhos azuis estavam em pé na minha frente. Pus minha mão na parte branca dos olhos, ou seja, a cabeça. Passei mal. Uma mulher feia de preto falou algo que não me recordo, mas era algo relacionado à religião.
Percebi, então, que estava no julgamento divino de Alberto Caeiro. Mas o deus dele, não estava lá. Talvez por isso o senhor estivesse dentro de uma Máquina Humana. Os réus eram Humanos Alados, mas não sei se eram anjos. De repente, certas estatuetas (que deviam ser de santos da Igreja Católica) queimaram as asas destes réus (seriam eles anjos?). E o caos reinou no lugar. Menos em um menino, que calmamente lia um livro, e que acho que não tinha asas, talvez por ser demasiado novo e inocente para tal, mas se fossem anjos, quem sabe o menino não tivesse fugido do céu pelo primeiro raio de sol?
Eu não estava sozinho, encontrava-me com alguns conhecidos, os quais não tenho grande intimidade, quando repentinamente, passam alguns carros com luzes traseiras da cor vermelha, a menos desviada do branco no espectro de cores. Como se a minha vida, corpo ou alma estivesse dentro daqueles veículos, correndo os persegui até alcançá-los (facto que só se deu depois deles terem parado). No centro de um pátio, feito claro por uma luz amarela, na floresta obscura, eles dispuseram-se em círculo e pararam. Todos eram iguais e da mesma cor preta, todavia eu sabia em qual ir. Abri a porta e deparei-me com um senhor de olhos vivos e azuis. Eu e o mundo julgávamos que ele havia morrido há anos, mas como algo que não existiu há de morrer? Sua cabeça era alva, e surpreendeu-me o facto de ele encontrar-se no interior de um carro, e o que é pior, conduzindo o mesmo. A Natureza Humana o capturou, e antes de percepcionar que havia pensado isto tudo o perguntei: "Quem é você?". O senhor fitou-me calmamente, mas parecia assustado por alguma coisa, talvez por ter sido redescoberto.
Miticamente falando, o pátio neste exacto momento, estava vazio. Ele respondeu-me: "Eu sou Alberto Caeiro". Após dizer isto olhei em volta e havia várias pessoas em pé, e em cadeiras, que se era dispostas como escadas, com mesas à frente. Olhei com rectidão. Olhos azuis estavam em pé na minha frente. Pus minha mão na parte branca dos olhos, ou seja, a cabeça. Passei mal. Uma mulher feia de preto falou algo que não me recordo, mas era algo relacionado à religião.
Percebi, então, que estava no julgamento divino de Alberto Caeiro. Mas o deus dele, não estava lá. Talvez por isso o senhor estivesse dentro de uma Máquina Humana. Os réus eram Humanos Alados, mas não sei se eram anjos. De repente, certas estatuetas (que deviam ser de santos da Igreja Católica) queimaram as asas destes réus (seriam eles anjos?). E o caos reinou no lugar. Menos em um menino, que calmamente lia um livro, e que acho que não tinha asas, talvez por ser demasiado novo e inocente para tal, mas se fossem anjos, quem sabe o menino não tivesse fugido do céu pelo primeiro raio de sol?
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O Pastor da Cidade (A morte e nascimento de Alberto Caeiro)
Essa noite tive um sonho muito estranho. A partir de agora passo a referi-lo
Era noite sombria, mas eu não sabia.
Meu corpo cansado estava deitado
Como um baque da realidade que no quarto se via.
Estrela cadente, dormia na névoa do relvado
Não sei de onde ela veio ou se ainda passaria.
Não era o som da floresta, mas da natureza do humanizado
Que vinham de quatro em quatro e passaram mais de quatro.
Corri e os alcancei, para apenas um virei
Num pátio ao meio da floresta interroguei:
"Quem é você!?"
Como uma eternidade, ele ficou velho
Sua morte eu vi, não dos olhos azuis
Mas estava na época mais doente.
Na natureza humana, sobre quatro engrenagens.
Doença, velhice, julgamento, não paganismo,
Ou seja do contrário.
E me respondeu: " Eu sou Alberto Caeiro"
Com a mão sobre a alva cabeça, no obscuro do pátio
Passei mal, enquanto imagens fogo atavam
Às asas dos anjos que como réus estavam.
Mas um menino sentado, sua leitura continuava
Sem que em suas asas uma chama se inflamasse.
Era a queda de todos os anjos, o paganismo fora da realidade
Bem à minha frente. Ao antigo deus, nenhuma fidelidade.
Mas este, não sente raiva, mas não estava presente
E outras vozes se ecoavam. O "mestre" não se enganou.
Algum menino colocou-o na Natureza Humana.
Era noite sombria, mas eu não sabia.
Meu corpo cansado estava deitado
Como um baque da realidade que no quarto se via.
Estrela cadente, dormia na névoa do relvado
Não sei de onde ela veio ou se ainda passaria.
Não era o som da floresta, mas da natureza do humanizado
Que vinham de quatro em quatro e passaram mais de quatro.
Corri e os alcancei, para apenas um virei
Num pátio ao meio da floresta interroguei:
"Quem é você!?"
Como uma eternidade, ele ficou velho
Sua morte eu vi, não dos olhos azuis
Mas estava na época mais doente.
Na natureza humana, sobre quatro engrenagens.
Doença, velhice, julgamento, não paganismo,
Ou seja do contrário.
E me respondeu: " Eu sou Alberto Caeiro"
Com a mão sobre a alva cabeça, no obscuro do pátio
Passei mal, enquanto imagens fogo atavam
Às asas dos anjos que como réus estavam.
Mas um menino sentado, sua leitura continuava
Sem que em suas asas uma chama se inflamasse.
Era a queda de todos os anjos, o paganismo fora da realidade
Bem à minha frente. Ao antigo deus, nenhuma fidelidade.
Mas este, não sente raiva, mas não estava presente
E outras vozes se ecoavam. O "mestre" não se enganou.
Algum menino colocou-o na Natureza Humana.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Para além do início e do corpo
Os braços e a mão vermelha
Escrevem fora de mim, em um corpo banhado em sangue
Não é meu e eu sei disso,
Mas é por mim e outros não alcançam isto
Quem perdeu as asas não fui eu
Ainda tenho belas jóias, que não são as mais bonitas
Mas eu não venci ninguém com mais força que eu
Pois não há poder em um corpo vazio.
Tenho medo de não apagar aquilo que escrevi
E depois não poder comer nem beber
Sofrendo assim o pior de todas as penas de morte
Que é morrer e não ver.
Sentiram dor momentânea, mas não imaginam a dor eterna
O que é eterno? Não imagino nada sem começo...
Mas se eu não penso, não significa que não exista
É porque não tenho capacidade.
Todos nós já fomos menos que um ponto afinal...
Escrevem fora de mim, em um corpo banhado em sangue
Não é meu e eu sei disso,
Mas é por mim e outros não alcançam isto
Quem perdeu as asas não fui eu
Ainda tenho belas jóias, que não são as mais bonitas
Mas eu não venci ninguém com mais força que eu
Pois não há poder em um corpo vazio.
Tenho medo de não apagar aquilo que escrevi
E depois não poder comer nem beber
Sofrendo assim o pior de todas as penas de morte
Que é morrer e não ver.
Sentiram dor momentânea, mas não imaginam a dor eterna
O que é eterno? Não imagino nada sem começo...
Mas se eu não penso, não significa que não exista
É porque não tenho capacidade.
Todos nós já fomos menos que um ponto afinal...
Aqui não tem isso.
A cidade também é Natureza
Que não morre,
Só entra na moda
Com cigarros de chaminé
Que ela mesma faz.
Que não morre,
Só entra na moda
Com cigarros de chaminé
Que ela mesma faz.
domingo, 26 de abril de 2009
Crítica a um rebanho
Me mostro não pagão
E falo do meu, mal daquele que viu
O menino cair dos céus,
E que via o mundo com os olhos do mundo.
Para ele sou pagão, pois
Gosto de não ver o horizonte
E não gosto quando entra uma borboleta pela janela.
Mas digo, nunca mal diga do que é diferente.
Pois eles não sabem o que fazem
Ou o mundo está certo?
Seja pagão agora para ele e me responda
Não seja pagão e ame o que te rodeia
Pois tudo que é feito pelo homem também é matéria-prima
Da fábrica que se chama Mãe Natureza.
Que não diz mal do que somos feitos
Daquilo que se vê e daquilo que não se vê.
Como o amor que não é como um girassol
Pois sempre olha pro caminho em frente.
O mais importante é o amor
Era disto que um menino deveria falar
Mas não falou.
Falou da falta de amor de dois pais e uma mãe.
O menino era o não ver disfarçado de ver.
Era a objectivação do abstrato, que existe
Que tem força, mas luta contra quem tem poder.
Quando esta Natureza não tem o que mostrar
É melhor anoitecer, pois a escuridão
É como a casa de milhões de luzes
Que piscam a vários anos-luz do horizonte.
E falo do meu, mal daquele que viu
O menino cair dos céus,
E que via o mundo com os olhos do mundo.
Para ele sou pagão, pois
Gosto de não ver o horizonte
E não gosto quando entra uma borboleta pela janela.
Mas digo, nunca mal diga do que é diferente.
Pois eles não sabem o que fazem
Ou o mundo está certo?
Seja pagão agora para ele e me responda
Não seja pagão e ame o que te rodeia
Pois tudo que é feito pelo homem também é matéria-prima
Da fábrica que se chama Mãe Natureza.
Que não diz mal do que somos feitos
Daquilo que se vê e daquilo que não se vê.
Como o amor que não é como um girassol
Pois sempre olha pro caminho em frente.
O mais importante é o amor
Era disto que um menino deveria falar
Mas não falou.
Falou da falta de amor de dois pais e uma mãe.
O menino era o não ver disfarçado de ver.
Era a objectivação do abstrato, que existe
Que tem força, mas luta contra quem tem poder.
Quando esta Natureza não tem o que mostrar
É melhor anoitecer, pois a escuridão
É como a casa de milhões de luzes
Que piscam a vários anos-luz do horizonte.
Porto, ..../...../2008
(Este poema já era antigo e estava guardado no meu baú, acho oportuno colocá-lo aqui.)
Querido diário estúpido,
Hoje te tatuei com palavras estúpidas,
Num momento estúpido,
Com mãos estúpidas
E um humor esdrúxulo.
Querido diário estúpido,
Hoje te tatuei com palavras estúpidas,
Num momento estúpido,
Com mãos estúpidas
E um humor esdrúxulo.
sábado, 25 de abril de 2009
Não saber dos homens
Ela me invadiu.
Como a volta do que sangrou
Apenas surgiu.
Como não gosto, se instalou.
Do milagre da que pariu
Diferente se revelou.
Não a quero aqui
Ela é má para quem vê.
Outros não vão sentir
Aquilo que eu estou a perceber.
Na vida que está a residir
Vitórias não glorificadas vão ser.
Não tem olhos o relógio
Mas bate como coração.
Vivo, mas sem velório
Na hora certa faz sua oração.
Espero para estar no casório
Mas tristes, estamos sem noção.
Como a volta do que sangrou
Apenas surgiu.
Como não gosto, se instalou.
Do milagre da que pariu
Diferente se revelou.
Não a quero aqui
Ela é má para quem vê.
Outros não vão sentir
Aquilo que eu estou a perceber.
Na vida que está a residir
Vitórias não glorificadas vão ser.
Não tem olhos o relógio
Mas bate como coração.
Vivo, mas sem velório
Na hora certa faz sua oração.
Espero para estar no casório
Mas tristes, estamos sem noção.
Poema sem título
Quero escrever, mas agora não vou
Pois isto não me lembra o que você falou
Mas este momento eu te dou
Para isso escrever, este trabalho já se realizou.
Pois isto não me lembra o que você falou
Mas este momento eu te dou
Para isso escrever, este trabalho já se realizou.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
A Característica do Cavaleiro
Em xeque-mate não há opção
Em ele com que mexer?
Ele, só assim pode executar destruição.
A vingança vem à cavalo.
Era rainha agora, é cercada por um peão.
Mas pode matar em todas as direcções.
Mas em ele, como ele, tudo é em vão
É rainha, mas que rainha é essa?
Que em ele não há percepção?
O cavalo, vem em ele
E o rei lento, e a rainha leva à perdição.
Em ele com que mexer?
Ele, só assim pode executar destruição.
A vingança vem à cavalo.
Era rainha agora, é cercada por um peão.
Mas pode matar em todas as direcções.
Mas em ele, como ele, tudo é em vão
É rainha, mas que rainha é essa?
Que em ele não há percepção?
O cavalo, vem em ele
E o rei lento, e a rainha leva à perdição.
O pecado de escrever
No corredor da invisibilidade
Sinto-me observado.
Uma sombra aparece atrás de mim
Desaparece embaixo de meus olhos
O número de luzes que há.
Hoje, comecei um livro ler
Embaixo dos céus, sobre as pernas
As letras aqueceram, mas as guardei
Cansado de olhar, necessitado de agir
Linhas por preencher.
Escrevi: "não leio Cesário Verde,
Não estou debruçado pela janela
Nem me ardem os olhos".
Os céus um livro não aceitam,
Meu desenho querem, senão
Vou andar à chuva quando o vento aumentar.
Vivo, desenho e sou castigado
Morrerei por isso enquanto viver,
Depois disto nada terei que escrever.
O que estará vai ser se você me ler
Se não o não ser vai me alegrar
Como ruído de chocalhos.
Sinto-me observado.
Uma sombra aparece atrás de mim
Desaparece embaixo de meus olhos
O número de luzes que há.
Hoje, comecei um livro ler
Embaixo dos céus, sobre as pernas
As letras aqueceram, mas as guardei
Cansado de olhar, necessitado de agir
Linhas por preencher.
Escrevi: "não leio Cesário Verde,
Não estou debruçado pela janela
Nem me ardem os olhos".
Os céus um livro não aceitam,
Meu desenho querem, senão
Vou andar à chuva quando o vento aumentar.
Vivo, desenho e sou castigado
Morrerei por isso enquanto viver,
Depois disto nada terei que escrever.
O que estará vai ser se você me ler
Se não o não ser vai me alegrar
Como ruído de chocalhos.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Pessoa & Caeiro em Cores
Como a luz, era branco,
Logo, repleto de cores
Na chuva de ideias, faltando algum encanto
Possuía sete vezes mais que qualquer um.
Suas subcores o dominavam
Mas por estar em muitos talvez,
Passe em uma tela branca
Sua arte que ninguém mais fez.
O Vermelho era seu mestre
Pois era apenas Vermelho
E vivia de um jeito campestre
Sem olhar para as cores mais desviadas na vida.
As outras, não merecem ser citadas
Pois tinham muitas preocupações
E não eram brancas para serem lembradas.
Para nós fica apenas uma alva memória.
Logo, repleto de cores
Na chuva de ideias, faltando algum encanto
Possuía sete vezes mais que qualquer um.
Suas subcores o dominavam
Mas por estar em muitos talvez,
Passe em uma tela branca
Sua arte que ninguém mais fez.
O Vermelho era seu mestre
Pois era apenas Vermelho
E vivia de um jeito campestre
Sem olhar para as cores mais desviadas na vida.
As outras, não merecem ser citadas
Pois tinham muitas preocupações
E não eram brancas para serem lembradas.
Para nós fica apenas uma alva memória.
sábado, 11 de abril de 2009
Roxanne e o amor
Procura-se a Roxanne.
Pode ser francesa ou inglesa,
Mas precisa estar sedenta.
Desconhece-se o que ela faz,
Não se sabe quem a procura,
Somente já ouviram falar.
Assim como o vento,
Nunca foi vista ou tocada.
Apenas viu, tocou
E deixou os seus rastros.
Sua destruição. Mas descobriu-se
Que sua perfeição está ferida
Através de rosas com espinhos,
Usadas para seduzir um varão
Que escrevia poesias
E que sabia que Roxanne
Já fora escrita várias vezes
Pela primeira e última vez.
Todas as suas linhas
Eram um rascunho com uma rosa.
Na boca espinhos verdes
O coração ficava abaixo do umbigo
E era lá que ela não sentia
Todos seus sentimentos
Mas sabia dizer que os sentia.
Exceto ao poeta que ela nunca
Teve coragem de mentir
Porque algo embaixo de seu peito
Bateu com um tamanho
Maior que o deste.
O poeta porém escrevia com o coração
E não com as mãos
Que estavam na mulher.
Mas tais mãos precisam escrever
E precisam de corações sujos.
Para escrever uma linda poesia
O poeta põe dois dedos no coração
Da poetisa, que grita de prazer,
Nunca sentiu tão grande vontade,
Tão grande satisfação.
O poeta escreve sua poesia
Pensando em quem a lê.
Não que neste caso ele se preocupe
Mas seu coração permanece sem bater
Em sua mão ensanguentada.
O rascunho de poesia está pronto
E o poeta pronto para jogá-lo no lixo.
E pouco cansado, pois aquilo ficou mal escrito.
"Qualquer um isto escreveria",
Ele pensa, e joga no lixo com um coração
Que chora pois está apaixonado.
Pode ser francesa ou inglesa,
Mas precisa estar sedenta.
Desconhece-se o que ela faz,
Não se sabe quem a procura,
Somente já ouviram falar.
Assim como o vento,
Nunca foi vista ou tocada.
Apenas viu, tocou
E deixou os seus rastros.
Sua destruição. Mas descobriu-se
Que sua perfeição está ferida
Através de rosas com espinhos,
Usadas para seduzir um varão
Que escrevia poesias
E que sabia que Roxanne
Já fora escrita várias vezes
Pela primeira e última vez.
Todas as suas linhas
Eram um rascunho com uma rosa.
Na boca espinhos verdes
O coração ficava abaixo do umbigo
E era lá que ela não sentia
Todos seus sentimentos
Mas sabia dizer que os sentia.
Exceto ao poeta que ela nunca
Teve coragem de mentir
Porque algo embaixo de seu peito
Bateu com um tamanho
Maior que o deste.
O poeta porém escrevia com o coração
E não com as mãos
Que estavam na mulher.
Mas tais mãos precisam escrever
E precisam de corações sujos.
Para escrever uma linda poesia
O poeta põe dois dedos no coração
Da poetisa, que grita de prazer,
Nunca sentiu tão grande vontade,
Tão grande satisfação.
O poeta escreve sua poesia
Pensando em quem a lê.
Não que neste caso ele se preocupe
Mas seu coração permanece sem bater
Em sua mão ensanguentada.
O rascunho de poesia está pronto
E o poeta pronto para jogá-lo no lixo.
E pouco cansado, pois aquilo ficou mal escrito.
"Qualquer um isto escreveria",
Ele pensa, e joga no lixo com um coração
Que chora pois está apaixonado.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
O Entardecer à Beira do Largo Observando os Pombos.
Amo a grande cidade
Como é bom não ser conhecido e não conhecer!
Ao lado de grandes Naturezas que aos céus fazem tremer
O céu azul, nada o torna vermelho para que respire
O ar puro do campo que a natureza abandonou.
Ver seres diferentes
Alguns que nem por serem dementes
Desistem de sua pequena Natureza vivente
A Grande Metrópole que o torna doente
Longe de qualquer ente.
É somente o que lá está
A cidade que acolhe quem não viverá
O lugar que cria quem matará
Talvez resida lá quem estudará
E solução para algo procurará.
Que solução? Está tudo tão perfeito...
(Buzino, logo poluo. E me sinto bem.)
Como é bom não ser conhecido e não conhecer!
Ao lado de grandes Naturezas que aos céus fazem tremer
O céu azul, nada o torna vermelho para que respire
O ar puro do campo que a natureza abandonou.
Ver seres diferentes
Alguns que nem por serem dementes
Desistem de sua pequena Natureza vivente
A Grande Metrópole que o torna doente
Longe de qualquer ente.
É somente o que lá está
A cidade que acolhe quem não viverá
O lugar que cria quem matará
Talvez resida lá quem estudará
E solução para algo procurará.
Que solução? Está tudo tão perfeito...
(Buzino, logo poluo. E me sinto bem.)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Independência Interna
Esta pequena dependência
Traz-me peso à consciência
Como mostrar o que espero
Se não moralizo minha vitalidade?
Muitas perguntas conheci
Mas nunca disse com convicção
Que certamente as respondi
Ah! Uma idéia caiu na relva.
Choco minha dependência
Com aquilo que sem não vivo.
Confuso? Não o é.
Minha verdadeira dependência
Liberta meu coração.
Traz-me peso à consciência
Como mostrar o que espero
Se não moralizo minha vitalidade?
Muitas perguntas conheci
Mas nunca disse com convicção
Que certamente as respondi
Ah! Uma idéia caiu na relva.
Choco minha dependência
Com aquilo que sem não vivo.
Confuso? Não o é.
Minha verdadeira dependência
Liberta meu coração.
A Bomba Atómica
No céu
A bomba
Sendo atômica
Perto de nossos pés
Trazendo nossa morte
Cogumelo venenoso
Sem querer
Ou sentir
A dor
Ai!
Ui!
Que
Linda
Que pó!
Que erro
O mundo roda
A radiação passa
De geração em geração
Os problemas ficam para matar
Quem nada com isso tem a ver ou então
Quem nada contra estas coisas horríveis pode fazer.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O Fim Feio do Mundo
Uma da manhã trancado no quarto
O mundo o tirou a inspiração
Ele quer escrever em dez minutos
Como se fosse a última coisa que fizesse
Ouvindo algo que só ele escuta
Não precisa ser feio ou bonito
Precisa demonstrar a falta de palavras
Precisa demonstrar a falta de amor
Precisa demonstrar a falta de inspiração
Precisa demonstrar a falta de conhecimento
Não sabe se é fogo
Não sabe se é água
Não sabe se é criativo
Não sabe se é cansativo
Nega a dor
Nega o conhecimento
Nega a métrica
Nega a rima
Precisa demonstrar que não sabe se nega o ser humano.
Café com Água (salgada?)
Daquilo que durante a infância
Me queimou, sou saudoso
Uma vida que pareceu sem relevância
Hoje consegue tirar-me o gozo
Essa grande e maldita distância
Não se afoga no oceano ocioso.
Me queimou, sou saudoso
Uma vida que pareceu sem relevância
Hoje consegue tirar-me o gozo
Essa grande e maldita distância
Não se afoga no oceano ocioso.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Proposição de um Mundo Melhor

As armas injustas e ladrões assinalados
Que, no mundo saciam sua gana,
Que, no mundo saciam sua gana,
Em roubos que já dantes navegados
Passaram para além da fragilidade humana
Em perigos e furtos planejados
Conseguem levar mais do que toda a grana
E entre gente desprotegida edificaram
Novo Reino, que tanto abastardaram;
E também as imbecilidades gloriosas
Daqueles governantes que foram dilatando
A Guerra, o ódio, e as riquezas venenosas
Da Arábia e de Gaza andaram devastando,
E aqueles que por obras horrorosas
O povo à Morte vai entregando;
Chorando espalharei por toda a parte
Se a tanto perdurar sem que me mate.
Lembrem do Alemão ou do ariano
As chacinas grandes que fizeram
Não ao Domingo ou atos do republicano
A grandeza dos números que tiveram;
Que eu choro a espada no peito mundano
A quem torres em xeque mate desabaram
Cesse tudo que essa Musa antiga canta
Que outro valor mais alto não se alevanta.
sábado, 28 de março de 2009
Dinheiro
sexta-feira, 27 de março de 2009
Falta de direcção

27/Mar 20:50
O sangue natural tende à neutralidade
Senti falta durante toda a minha vida
Precisei de apoio sempre
Mas nunca o obti
Hoje que deveria chorar
Não chorei
Meu coração grita neutralidade
Que me traz tristeza
Queria sentir ódio
Queria sentir felicidade
Como em um dia normal
Mas a indiferença apunhalou-me.
O sangue natural tende à neutralidade
Senti falta durante toda a minha vida
Precisei de apoio sempre
Mas nunca o obti
Hoje que deveria chorar
Não chorei
Meu coração grita neutralidade
Que me traz tristeza
Queria sentir ódio
Queria sentir felicidade
Como em um dia normal
Mas a indiferença apunhalou-me.
Diário de Bordo do Barqueiro Sombrio
22/Mar 23:12
Querido e delinquente diário
Hoje estou fechado entre quatro paredes
Face a face com meu pecado
Reconhecer isto é estar preso em redes
Sem encontrar sequer um buraco.
Querido e inútil diário
Obrigado por guardar este segredo
Escrito pelas paredes deste obituário
Nomes que pulam já fizeram o errado
E sem água foram lavados
Querido e esdrúxulo diário
Não sei se me ouves ao certo
E não sei se te falo ao errado
Ou se o errado parece certo
Perante meus olhos cegos.
Querido e delinquente diário
Hoje estou fechado entre quatro paredes
Face a face com meu pecado

Reconhecer isto é estar preso em redes
Sem encontrar sequer um buraco.
Querido e inútil diário
Obrigado por guardar este segredo
Escrito pelas paredes deste obituário
Nomes que pulam já fizeram o errado
E sem água foram lavados
Querido e esdrúxulo diário
Não sei se me ouves ao certo
E não sei se te falo ao errado
Ou se o errado parece certo
Perante meus olhos cegos.
Introdução

Sou uma pessoa relativamente normal assim como aquele que lê ou desconhece este texto. Por isso, considero que possuo uma vida, relativamente normal (se prestarmos muita atenção, concluiremos que nunca duas ou mais realidades possuirão a mesma significância, logo não há algo normal, em minha opinião. Apenas modelos, ou seja, padrões a seguir). Neste blog que é inaugurado a partir de agora, ficarão expostos alguns textos, escritos em formas de versos na maioria das vezes, que reflectem situações pelas quais alguém relativamente normal pode passar, ou simplesmente uma idéia, uma inspiração que seja-me mostrada. Tem-se que sublinhar que não possuo conhecimentos muito técnicos sobre a criação de textos em versos, por isso o nome do blog, já que como não é poesia, propriamente dita, digo que são palavras corridas, pensamentos que se esvaem, como os seres humanos.
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